E desta vez saíram mesmo de Inglaterra. Depois de quatro álbuns, os Supergrass já não tinham nada a provar a ninguém. Podiam deixar de perseguir a própria juventude e procurar outro andamento. Em Road to Rouen, é precisamente o andamento que mais muda. Não se trata apenas de canções mais lentas e arranjos mais tranquilos. Pela primeira vez, a banda começa a confiar tanto no silêncio como no refrão.
França, ou um pouco mais longe da própria imagem
O álbum foi feito em França, perto de Rouen, fora do ritmo diário da indústria musical britânica. O próprio lugar afastava a banda da pressão londrina. O título aludia, em tom de brincadeira, a Road to Ruin dos Ramones. A música reunida sob esse nome, porém, brincava muito menos.
A mudança não nasceu apenas da vontade de experimentar. Gaz Coombes, voz e guitarra, e o teclista Rob Coombes tinham perdido a mãe. O baterista Danny Goffey, por sua vez, enfrentava a atenção desagradável dos tabloides britânicos. A leveza anterior já não podia regressar exatamente da mesma forma.
Não é preciso conhecer estas histórias antes de ouvir o álbum. O peso delas aparece na música de qualquer maneira. Os Supergrass não soam de repente como uma banda totalmente diferente. Soam mais como as mesmas pessoas a olhar para o mundo um pouco mais tarde.
St. Petersburg e a música que deixa de ter pressa
St. Petersburg mostra melhor a dimensão desta transformação. O piano, as cordas e a voz mais calma não disputam o primeiro lugar. Cada elemento recebe mais espaço do que antes. A melodia não tem de conduzir imediatamente a um grande refrão. Pode simplesmente existir durante algum tempo e ganhar significado.
É uma mudança enorme para uma banda associada ao movimento. Nos primeiros álbuns, o silêncio costumava significar o momento anterior à aceleração seguinte. Aqui, torna-se parte da própria canção. Entre os acordes aparece um ar de que antes quase nunca tinham precisado.
Tales of Endurance (Parts 4, 5 & 6) desenvolve a tensão com mais paciência. Quando a música finalmente ganha peso, não soa familiar. Não é uma tentativa de recriar a energia de Richard III ou Lenny. Os Supergrass descobrem um peso construído pela expectativa, não pela velocidade.
Roxy avança ainda mais pelo espaço psicadélico. A canção não se preocupa especialmente com a duração radiofónica. Desenvolve a sua própria paisagem e deixa-a respirar em paz. Low C é mais leve, mas também mais elegante. O velho instinto pop continua a funcionar; perdeu apenas a necessidade de se exibir.
O riff deixa de ser a paisagem inteira
Até a faixa que dá título ao álbum mostra uma lógica diferente. Os Supergrass continuam a saber escrever um riff de guitarra forte. Desta vez, porém, o riff não precisa de conduzir tudo. É um dos elementos de uma imagem maior.
Paisagem é provavelmente a melhor palavra para este disco. Os álbuns anteriores pareciam muitas vezes séries de canções muito bem escritas. Cada uma tinha o seu carácter, energia e ideia. Road to Rouen funciona mais como um espaço fechado. As canções continuam separadas, mas começam a respirar o mesmo ar.
Por isso, os momentos mais tranquilos não soam a intervalos. Já não esperamos apenas pelo single seguinte. O álbum pede um pouco mais de paciência ao ouvinte. Em troca, oferece algo raro na fase tardia da discografia de uma banda: nem sempre sabemos para onde vai virar.
Não tenho a certeza de que este seja o melhor álbum dos Supergrass. In It for the Money tem mais canções excecionais. I Should Coco possui uma energia impossível de reproduzir mais tarde. Road to Rouen, contudo, ganha pela sua imprevisibilidade. Ao fim de uma década, a banda ainda conseguia surpreender-se.
Ser adulto sem a obrigação de ser sério
Os ouvintes da época podiam interpretar esta calma de formas muito diferentes. Para uns significava maturidade; para outros, a perda do antigo impulso. Ambas as reações me parecem inteiramente compreensíveis. Quem se apaixonara por Caught by the Fuzz podia ter saudades do ruído.
A mim interessa-me muito mais outra coisa. Os Supergrass deixaram finalmente de se comportar como a própria recordação. Já não tentavam soar como os rapazes de 1995. Também não tinham de pedir desculpa pela idade.
É precisamente isso que faz Road to Rouen envelhecer tão bem. Não é um álbum que proclame uma grande maturidade artística. Declarações dessas costumam envelhecer pessimamente. Aqui, a mudança acontece sobretudo no som. Os músicos deixam mais espaço para a harmonia, a textura e o ambiente.
Fin fecha o álbum sem precisar de um grande triunfo. A canção não coloca um ponto final vistoso sob toda a história. Deixa a música desaparecer devagar e conserva algo por dizer. Para os Supergrass de outros tempos, tal gesto teria parecido quase impossível.
Depois de anos a correr, a banda descobriu uma coisa muito simples. Energia nem sempre significa velocidade e volume. Às vezes, aparece precisamente quando os músicos deixam de ter pressa. França não transformou por completo os Supergrass, porque eles não precisavam de nada desse género. Permitiu-lhes apenas, por um instante, deixar de ser os Supergrass das recordações alheias.











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