Antes de as luzes se apagarem
Hoje, The Wild Ones deixará de ser uma canção encerrada em Dog Man Star e passará a fazer parte de uma noite concreta em Varsóvia. Dentro de poucas horas, Brett Anderson subirá ao palco com aquela voz inconfundível, enquanto as pessoas em baixo trazem as suas próprias histórias, perdas, regressos e sentimentos que ainda não conseguem nomear. Todos ouvirão a mesma melodia, mas ninguém se encontrará exatamente na mesma canção.
A música toma a palavra
Talvez baste o ombro de alguém, o calor de uma mão, um rosto brevemente iluminado pelas luzes do concerto. Não é necessária nenhuma grande declaração, porque a música costuma fazer esse trabalho melhor do que a linguagem. Consegue guardar aquilo que uma frase arruma demasiado bem e colocar duas memórias diferentes dentro do mesmo refrão sem obrigar nenhuma delas a explicar-se.
Tudo o que importa já está a desaparecer
O concerto terminará. As luzes vão acender-se. As fotografias achatarão a noite e a memória começará lentamente a apagar os pormenores. É precisamente isso que dá peso ao momento. Tudo o que realmente importa começa a desaparecer no instante em que se concretiza.
Estar simplesmente ali
Dentro de poucas horas, não será preciso preservar coisa alguma. A única tarefa será permanecer dentro da música enquanto ela acontece, ao lado das pessoas que fazem a canção significar algo que nenhuma gravação poderia ter sabido de antemão. Teremos simplesmente de estar ali.













Comentários
0